quarta-feira, 11 de julho de 2012

Até onde você iria?


"E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã." Mateus 15:21-28

“E, levantando-se dali, foi para os termos de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, não queria que alguém o soubesse, mas não pôde esconder-se; Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés. E esta mulher era grega, sirofenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio. Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, porém, respondeu, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos. Então ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha. E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, e que o demônio já tinha saído.”  Marcos 7:24-30

O episódio da mulher cananeia é um dos textos mais difíceis do novo testamento, pois a dinâmica do evento narrada por Marcos e Mateus apresentam uma dura realidade, em se tratando da pessoa de Jesus. Entretanto, o tratamento que Jesus deu a mulher revela um processo pelo qual os cristãos passam em sua jornada de fé, e nos dá alento para os momentos em que os céus estão silenciosos.

1ª FASE: O SILÊNCIO DIANTE DA PETIÇÃO DA MULHER

Jesus silenciou diante do pedido inicial daquela mulher, praticamente a ignorando, tanto que até mesmo os discípulos estavam incomodados, e intercederam pela mulher.

“Contudo ele não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: Despede-a, porque vem clamando atrás de nós.” Mateus 15:23

Neste momento Jesus estava de certa forma medindo os limites do interesse da mulher em seu poder, afinal, o que os pagãos sabiam de Jesus é que ele era grande profeta e tinha grandes poderes. Deviam ser muito comuns os pedidos de intervenção sobrenatural. Entretanto, creio que esta mulher passou por este processo, como quem decifra um enigma. “Porque ele não me atendeu? Porque ele não me ouviu? O que tem de errado no meu pedido?”

Acredito ainda que Jesus ensina por seu gesto que Deus não é um banco de pedidos e petições, e que não está a serviço dos homens. Por ter sido ignorada no primeiro pedido a mulher pode também mostrar sua determinação. A fé não é nada menos do que um exercício de determinação no qual somos desafiados até o limite que podemos suportar, e acredite, Deus conhece os nossos limites, pois foi Ele que os estabeleceu. A consequência disto? O reconhecimento da autoridade de Deus e da dependência do homem.

“Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me.” Mateus 15:25


2ª FASE: JESUS TESTA O SISTEMA DE CRENÇAS

Na segunda fase do diálogo, Jesus testa o nosso sistema de crença, seu interesse é revelar no que acreditamos.

“Respondeu-lhes Jesus: Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.” Marcos 7:27

“Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.” Mateus 15:26

Este é o segundo "enigma" que Jesus propõe a mulher que veio lhe pedir. Jesus veio para abalar o nosso sistema de crenças e a todo tempo Ele continua a mexer com a nossa mente, nos impulsionando a mudar a nossa forma de pensar. A mulher era cananeia, como se sabe, os cananeus eram um povo em que o paganismo estava entranhado na cultura, enraizado na mente. Agora Jesus propunha para aquela mulher uma revisão de sua fé. Historicamente falando, os judeus são o povo do plano da promessa de Deus, ou seja, o Deus criador dos céus e da terra habitava no meio do povo judeu (OS FILHOS), enquanto os demais povos que não se submetiam à lei mosaica estavam temporariamente fora dos planos da promessa de salvação. Para os judeus o Salvador viria da casa de Davi.

Agora, a mulher cananeia passaria pelo segundo obstáculo, a qualidade da sua fé. A capacidade de renovar o seu sistema de crenças diante de uma nova realidade, iria se revelar na medida em que a mulher rompesse com sua antiga vida. Essa ruptura acontece quando ela se submete à autoridade de Jesus e afirma de forma humilde que até as migalhas comeria.

CONCLUSÃO

A intensidade da nossa fé é determinada pela regularidade com a qual nos relacionamos com Deus. Muitas vezes, mesmo achando que não somos vistos ou ouvidos, Deus não deixa nada escapar de suas vistas, e isso naturalmente nos levará ao reconhecimento da nossa dependência e da autoridade de Jesus. A qualidade da nossa fé é medida pela nossa disposição de deixar tudo para trás e nos entregarmos a uma nova vida em Cristo, viver uma nova realidade, deixando as coisas que ficaram para trás prosseguindo para o alvo que é a soberana vocação em Cristo Jesus.

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus.” Filipenses 3: 13,14

Amém!

Por Diogo Pereira

quarta-feira, 13 de junho de 2012

TUDO É RELATIVO?


Acredito na importância do estudo bíblico. Afinal, é necessário estar preparado para quando  ocorrerem as defesas de nossa fé; defender o exercício da cristandade. Digo isso não por estar preocupado em comunicar o evangelho aos outros como se meus interlocutores tivessem oito anos de idade, e sim por entender que a pratica do estudo bíblico forja a quantidade de “anticorpos” necessária para que possamos resistir às dúvidas que a pós-modernidade nos apresenta diariamente. Dúvidas que podem nos trazer tristeza, fraqueza, medo e outros tantos males.

Gostaria de dar um exemplo simples disso: não sei alguns já notaram isso mas... A verdade sumiu! Onde está a Verdade?

Na antiguidade existia apenas uma verdade. Em nosso cotidiano pós-moderno, tudo pode ser verdade. Hombridade, dignidade, moralidade e outras tantas virtudes que representam um caráter forjado nas premissas do cristianismo agora são coisas “relativas” e a verdade absoluta deixou de existir. Sou uma testemunha viva de tudo isso, afinal, fui forjado na área das ditas “Ciências Humanas” e estou sempre presenciando alguns intelectuais formadores de opinião e outras figuras preeminentes da sociedade considerarem tudo aquilo que emana da cultura pós-moderna algo fantástico, sábio e extremamente relevante. Não sei o que faria se encontrasse um “gênio” desses pela rua...

Temos então, um problema: se não possuímos mais uma verdade absoluta, o que dirão então do Evangelho? Quando, enfim, a verdade desaparece, acredito que também desaparece Jesus Cristo, a personificação da Verdade. Verdade esta que emana do Pai e que realizou tão considerável obra na minha, e em outras tantas vidas. Os defensores da cultura pós-moderna, ao rejeitarem a verdade de Cristo, cometem um grave erro, pois negam a premissa cristã de que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Nós temos necessidade de um discernimento bíblico maior (e melhor!), pois nunca uma geração foi tão bombardeada com informações como a nossa. As distorções da Palavra de Deus estão por toda parte e temas importantes de nossa fé cristã como conversão, confissão de pecados, arrependimento, graça e outras tantas coisas estão perdendo espaço para a guerra do tele-evangelicalismo, para as grandes produções “gospel” e para as “estrelas” evangélicas. Onde está Cristo nisso tudo?

Não possuo respostas prontas nem soluções mágicas para os problemas que a Igreja do séc. XXI apresenta. Todavia, penso ser necessário um quebrantamento genuinamente espiritual entre todos nós, enquanto sacerdotes do Deus Vivo. Precisamos nos humilhar diante do Pai, sondar nossos corações, renovar nossos compromissos e buscar a plenitude do Espírito Santo, bem como sua glória. Hoje, nada é mais necessário do que pessoas que sejam um retrato vivo de Jesus Cristo.

Um grande abraço. Paz e bem!

Por José Júnior

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Efeitos nocivos da ausência


Por Matt Schmucker
Por Matt Schmucker
Cresci ouvindo sempre que era melhor ser acusado de cometer um pecado de omissão que um pecado de comissão. Desta forma, você poderia sempre riscar seu pecado usando o esquecimento, a ignorância ou falta de cuidado. Já o pecado de comissão era o grande “não-faça”, uma vez que parecia deliberado e calculado.
AUSÊNCIA: APENAS UM PECADO DE OMISSÃO?
Temo que muitos cristãos pensem que não frequentar a igreja regularmente é um pecado de omissão; se for realmente um pecado, seria um dos pequenos. Não seria grande coisa. “Não traga esse legalismo para cá!”. Aparentemente, isto é o que muitos pastores, presbíteros, diáconos e a inteira congregação pensam, já que fazem pouco para lidar com o assustador número de ausentes.
Por exemplo, em minha própria denominação, a Convenção Batista do Sul, apenas um terço da membresia total de quarenta mil igrejas nos EUA realmente participam dos cultos todo domingo. Isto significa que aproximadamente dez milhões de supostos cristãos na verdade são faltantes.
NEM TODOS OS AUSENTES SÃO IGUAIS
Uma vez que nem todos os ausentes são iguais, as igrejas devem tratar os diferentes tipos de ausentes de maneira diferente. Aqui estão quatro tipos distintos:
  1. Aqueles que vivem nas proximidades, mas são incapazes de frequentar o culto: a idade ou a saúde os impedem. Membros anciãos ou doentes devem ser tratados com cuidado especial. Este artigo não é sobre eles
  2. Aqueles que vivem (temporariamente) fora das proximidades e são incapazes de participar: militarismo ou compromissos de trabalho os impedem. Estes ausentes (temporários) também devem ser tratados com cuidado especial, uma vez que suas viagens a trabalho colocam um fardo único sobre eles e suas famílias. Este artigo não é sobre eles.
  3. Aqueles que vivem fora das proximidades e escolhem continuar sendo membros de sua igreja local: a distância os impede. Ausentes desse tipo devem ser encorajados a participar de uma igreja que eles podem frequentar. Este artigo é sobre eles.
  4. Aqueles que vivem nas proximidades, mas esporádica e raramente participam dos cultos: nada realmente os impede além de sua própria vontade. Este artigo é especialmente sobre eles.
PORQUE OS AUSENTES SÃO NOCIVOS
Esses dois últimos tipos de não-frequentadores têm um efeito nocivo na igreja local porque eles afirmam que a membresia no corpo de Cristo é inútil.
Em 1 Coríntios 12, o apóstolo Paulo fala do corpo e suas partes como uma metáfora da igreja:
“Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo.” (1 Co 12.12)
“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” (1 Co 12.27)
3552898254_bbf14c83afEntre esses dois versos, Paulo exorta os membros da igreja em Corinto a enxergarem-se como uma parte do todo, necessitando daquilo que os outros membros contribuem. As partes têm funções diferentes (alguns são apóstolos, alguns são profetas, e por aí vai), mas todos eles se juntam para fortalecer o todo. Este é o propósito de Deus para o corpo de Cristo: quando cada membro contribui com algo único junto ao todo, a glória multiforme de Deus será colocada em evidência. Portanto, quando supostos membros (partes) do corpo de Cristo decidem separar-se do resto do corpo, eles ameaçam sua integridade. Se cristãos se separam do corpo de uma igreja, o que você tem não é mais um corpo, mas órgãos desordenados.
Quando eu retiro o pêndulo do relógio do meu avô, ainda posso fazer certas coisas com ele, como abrir latas de tinta lacradas. Mas este é um mau uso do pêndulo. O pêndulo (uma parte) foi desenhado para encaixar-se dentro do relógio, juntar-se às outras partes e providenciar o peso que coloca em movimento as engrenagens que girarão os ponteiros, o que nos permite ver as horas.  Isto é como os cristãos deveriam funcionar dentro do corpo de Cristo. Um cristão que se arranca de um corpo local de cristãos é como um pêndulo abrindo uma lata de tinta, não um pêndulo que faz um relógio funcionar.
Mas os ausentes não ameaçam apenas a si mesmos; na verdade, eles têm um efeito nocivo na igreja local da qual eles nominalmente fazem parte. Eu diria que os ausentes têm um efeito tóxico de quatro maneiras diferentes.
OS EFEITOS NOCIVOS DOS AUSENTES
1. Eles fazem o evangelismo mais difícil
Primeiramente, os ausentes fazem o evangelismo mais difícil. Sua igreja é chamada para ser um posto do Reino de Deus em sua comunidade, uma pequena, mas significativa manifestação da glória de Deus, quando vocês amam um ao outro e amadurecem em Cristo. Portanto, todo aquele que carrega o nome de Cristo, como declarado por sua igreja, e que voluntariamente deseja viver sua vida separado da comunidade pactual de crentes está praticando falsidade ideológica. Eles carregam o nome de Cristo, mas eles não se identificam com seu corpo, a igreja local.
Usando a metáfora de Jonathan Leeman, eles vestem o uniforme do time, mas eles não treinam nem competem pelo time. Isto confunde o testemunho para a comunidade incrédula ao redor de vocês. Não-cristãos veem seu uniforme em um cara que parece jogar para outro time. É como um homem que veste o uniforme dos Redskins, mas só torce pelos Dallas Cowboys, vai para os jogos dos Cowboys, fala sobre as cores dos Cowboys, e sonha algum dia morar em Dallas. É inconsistente, confuso e enganador. Voltando à linguagem bíblica, os cristãos foram adotados no corpo de Cristo. Os ausentes agem como se fossem órfãos. Isto torna tudo mais difícil para que a vida corporativa da igreja carregue o testemunho do Evangelho.
2. Eles confundem os novos crentes
Em segundo lugar, os ausentes confundem os novos crentes. Novos crentes são muitas vezes uma confusão. Tudo o que eles pensavam ser certo está errado, tudo que eles pensavam ser errado está certo. Há uma grande confusão nas primeiras semanas e meses, e até anos de vida do novo crente. Eles precisam ser bem ensinados.
Mas não apenas isso, eles precisam de bons modelos. Quando a doutrina que eles aprendem não bate com os modelos que eles veem, eles ficam confusos. Os ausentes não são apenas testemunhas reversas, eles são modelos reversos. Eles ignoram e desobedecem a inúmeras passagens da Escritura, e falham em expressar o caráter de Deus mesmo das maneiras mais básicas, mesmo eles clamando serem filhos adotados.
Em sua arrogância, os ausentes estão efetivamente dizendo aos novos crentes: “tudo isso que vocês estão lendo na Bíblia não é realmente necessário. Vocês podem viver sem encorajamento dos outros cristãos. Vocês podem viver sem sacrificar-se ao servir e amar outros cristãos. Vocês podem viver sem ensino e sem pregação. Vocês podem viver sem pastores”.
igreja013. Eles desencorajam frequentadores regulares
Em terceiro lugar, ausentes desencorajam frequentadores regulares. Frequentadores regulares fazem sacrifícios para manter sua aliança com sua igreja local. Eles dão seu dinheiro e seu tempo para satisfazer a necessidade dos outros membros do corpo, o que não é fácil, para dizer o mínimo. Os ausentes não fazem essas coisas, pelo menos não com alguma regularidade. Assim, quando uma igreja permite que ausentes permaneçam membros, elas efetivamente erodem o significado da membresia, o que fere e desencoraja os fiéis.
Além disso, os ausentes negam à igreja seu serviço, o que tende a desencorajar os frequentadores fiéis. Certamente uma igreja de 100 membros, em que todos estão trabalhando para a glória de Deus com os dons que Deus os deu, é exponencialmente mais forte que uma igreja de 35 frequentadores e 65 não-frequentadores. Os ausentes inadvertidamente colocam o fardo inteiro sobre alguns poucos, um fardo que esses poucos não deveriam carregar sozinhos.
4. Eles preocupam seus líderes
Em quarto lugar, os ausentes preocupam seus líderes. Hebreus 13.17 diz: “Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas.”. A luz desse verso, um pastor ou presbítero fiel deve sentir-se responsável pelo estado espiritual de todo membro de seu rebanho. Como um pai preocupado com o filho que ainda não voltou para casa à noite, um bom pastor não descansa até que preste contas de todas as suas ovelhas. Não-frequentadores fazem a tarefa quase impossível.
Embora tempo e coragem sejam necessários para lidar com o problema dos ausentes, todo pastor ou presbítero deve sentir a responsabilidade de remover esses faltantes e curar o efeito nocivo que eles têm sobre o evangelismo, sobre os novos membros, sobre os frequentadores fiéis e sobre os pastores da igreja. A recompensa? Enquanto a membresia cada vez mais consiste apenas daqueles que fielmente participam e contribuem com a vida do corpo, a igreja começará a parecer-se com o corpo que Deus planejou: uma expressão de sua sabedoria, que traz glória ao Cabeça da Igreja, Jesus Cristo.
por Matt Schmucker